A faculdade prepara o engenheiro para calcular. Mas é a obra que ensina o engenheiro a reagir. Um engenheiro civil passa, no mínimo, cinco anos na faculdade. Durante esse período, aprende conceitos técnicos, resolve problemas e desenvolve soluções. Mas, na prática da construção civil, principalmente para quem trabalha em obra, a realidade é diferente.
A faculdade ensina muito, mas não prepara totalmente para as situações do dia a dia. Os desafios reais aparecem em campo, e cada problema enfrentado se transforma em experiência.
E experiência, muitas vezes, é exatamente isso: o acúmulo de situações vividas em obra.
Lembro muito bem da ansiedade que sentia diante de cada novo desafio. E um deles foi bastante inusitado.
Era um final de semana — provavelmente um domingo ou um feriado — e eu estava sozinho na obra. Aproveitei o dia mais tranquilo para resolver algumas demandas de escritório enquanto acompanhava um serviço externo.
A Sabesp estava executando a rede da obra. Tudo parecia normal, até que ouvi um barulho extremamente forte.
Corri para a rua para entender o que havia acontecido.
A escavação acabou rompendo uma tubulação da Comgás que passava pelo passeio.
O vazamento gerou um barulho intenso, desespero nas pessoas que passavam pela rua e muito medo. Ninguém sabia se havia risco de explosão. Lembro das pessoas correndo para se abrigar — e eu, sem nunca ter vivido algo parecido, também não sabia exatamente como agir.
Minha primeira reação foi acionar o canal de emergência da Comgás.
Felizmente, a faculdade que ficava em frente à obra tinha um ex-funcionário da concessionária, que rapidamente conseguiu realizar um ajuste na tubulação e impedir que o vazamento aumentasse.
Esse episódio ficou marcado para mim.
Porque existem situações que nenhum livro ensina.
A experiência em obra é construída enfrentando o inesperado.


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